A União Europeia aprovou, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial com o Mercosul após 26 anos de negociações, abrindo caminho para a assinatura do tratado e o início do processo de ratificação.
O texto prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 91% do comércio entre blocos e pode ampliar de forma significativa o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, especialmente no setor agropecuário.
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Lula conversou sobre o acordo Mercosul-UE com Ursula von der Leyen e Emmanuel Macron – Ricardo Stuckert/PR/ND
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Financial Times ressalta fala de Lula sobre cancelar acordo entre Mercosul e União Europeia – Ricardo Stuckert ND mais
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Novo acordo com União Europeia pode subir o comercio do Brasil em 5 vezes – Reprodução
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Previsão de firmar o acordo entre Mercosul e União Europeia no próximo fim de semana é incerta – Ricardo Stuckert/ND mais
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Veja o que muda para o Brasil com acordo Mercosul-UE – Montagem feita com imagens da web e de Ricardo Stuckert /ND Mais
Embora ainda dependa da aprovação do Parlamento Europeu e de regulamentações complementares, o acordo estabelece as bases da maior área de livre-comércio do mundo, que envolve aproximadamente 700 milhões de consumidores, segundo a Infomoney.
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O que prevê o acordo Mercosul-União Europeia
Conforme informações da Comissão Europeia, o tratado estabelece a eliminação progressiva de tarifas de importação sobre a maior parte das mercadorias comercializadas entre os blocos. A liberalização ocorrerá em etapas, com prazos diferenciados para setores considerados sensíveis.
Atualmente, produtos brasileiros enfrentam tarifas elevadas na União Europeia, enquanto bens industriais europeus entram no Mercosul com alíquotas que chegam a 35% para automóveis e até 20% para máquinas e produtos químicos. O acordo busca reduzir essas barreiras e também simplificar exigências técnicas e procedimentos regulatórios.
Mais do que comércio de bens
O texto vai além da redução tarifária e inclui compromissos em áreas como:
- Serviços financeiros, telecomunicações, transporte e serviços empresariais
- Investimentos, com redução de discriminação regulatória
- Compras públicas, permitindo que empresas brasileiras disputem licitações na UE
Esses pontos ampliam o alcance do acordo e favorecem a diversificação da economia brasileira.
Por que o acordo avançou após mais de duas décadas
Negociado desde 1999, o tratado ganhou impulso político no fim de 2024, com maior articulação diplomática do governo brasileiro e apoio de países europeus com forte perfil exportador, como Alemanha e Espanha.
De acordo com a Infomoney, o cenário internacional também influenciou. A retomada de políticas protecionistas pelos Estados Unidos e o avanço da China como principal parceiro comercial da América do Sul reforçaram o interesse europeu em diversificar acordos e reduzir dependências estratégicas.
Entenda o que muda para o Brasil com o acordo Mercosul-UE
A União Europeia já figura entre os principais destinos das exportações brasileiras, mesmo sem o acordo em vigor. Em 2025, as vendas externas do agronegócio brasileiro ao bloco somaram US$ 22,89 bilhões.
Acordo entre Mercosul-UE deve alavancar competitividade brasileiro no mercado internacionalFoto: Montagem feita com imagens da web e de Ricardo Stuckert /ND MaisEntre os principais produtos exportados estão:
- Carne bovina: US$ 820,15 milhões, com crescimento anual de 83,2%
- Café verde: US$ 6,43 bilhões
- Complexo soja: cerca de US$ 6 bilhões
- Celulose: US$ 1,98 bilhão
- Carne de frango: US$ 457,99 milhões
O acordo prevê redução ou eliminação de tarifas para carnes, açúcar, etanol, café, suco de laranja e produtos florestais, ampliando a competitividade brasileira em um mercado de alto poder de compra.
Concessões e salvaguardas agrícolas
Para viabilizar o acordo, a União Europeia incorporou salvaguardas para produtos considerados sensíveis, como carne bovina, aves, arroz, mel, ovos e etanol.
O texto prevê a possibilidade de reintrodução temporária de tarifas caso haja aumento expressivo de importações ou queda acentuada de preços no mercado europeu. Também foram acordados controles mais rígidos sobre padrões sanitários, ambientais e uso de pesticidas.