Os três técnicos de enfermagem suspeitos de matar ao menos três pacientes na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, foram identificados como Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva.
Segundo o R7, a Polícia Civil investiga, até o momento, as mortes de João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Moreira, de 33, e Miranilde Pereira da Silva, de 75. Outras 20 mortes registradas na unidade hospitalar também estão sob investigação. O próprio hospital acionou a polícia após identificar irregularidades.
A direção da unidade informou ter constatado situações fora do padrão na UTI. Ainda de acordo com o R7, os técnicos afirmaram inicialmente, em depoimento, que apenas cumpriam ordens médicas. No entanto, diante das provas reunidas, acabaram confessando os crimes.
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Conforme a polícia, os suspeitos não demonstraram arrependimento nem apresentaram justificativa para as ações.
Eles devem responder por homicídio doloso qualificado, já que as vítimas não tiveram qualquer chance de defesa.
“Desinfetante nas veias”
De acordo com o Metrópoles, o delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, relatou que, em uma das ocorrências, um dos técnicos de enfermagem administrou um produto químico de limpeza diretamente no paciente. “Ele sugou um desinfetante no quarto de um paciente com a seringa”, afirmou o delegado.
Na sequência, o líquido teria sido injetado ao menos dez vezes. Segundo o R7, as mortes ocorreram entre novembro e dezembro do ano passado.
Vítimas eram servidores públicos
Vítimas morreram na UTI do Hospital Anchieta, em TaguatingaFoto: Material cedido ao R7/Reprodução/ND MaisJoão Clemente Pereira era supervisor de manutenção da Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal). Marcos Moreira trabalhava nos Correios e morava em Brazlândia. O Sintect-DF (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal) lamentou a morte.
“É com pesar que o Sintect-DF comunica o falecimento do carteiro Marcos Raymundo Fernandes Moreira, trabalhador dos Correios lotado no CDD Brazlândia. Nossa solidariedade vai para os familiares, amigos e colegas de trabalho neste momento de despedida e dor”, informou a entidade.
Miranilde Pereira da Silva era professora aposentada. Segundo o Sinpro-DF (Sindicato dos Professores do Distrito Federal), ela atuou na Regional de Ensino de Ceilândia. “O Sinpro-DF se solidariza com familiares, amigos, colegas de trabalho e toda a comunidade escolar neste momento de dor”, declarou o sindicato.
O que diz o Coren-DF
Em nota, o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) se pronunciou sobre o caso:
“O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados pela imprensa envolvendo mortes suspeitas de pacientes em uma unidade hospitalar do Distrito Federal. Diante da gravidade das informações divulgadas, o Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e instaurou procedimento de apuração para verificar eventuais implicações éticas relacionadas à conduta de profissionais de enfermagem possivelmente envolvidos, adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal. Ressalta-se que o caso também está sob investigação das autoridades competentes e tramita na esfera judicial.
Dessa forma, neste momento, não é possível emitir juízo de valor ou qualquer conclusão definitiva, devendo ser respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa dos envolvidos. O Coren-DF reforça que, caso as investigações confirmem a ocorrência de conduta ilícita ou infração ética, o profissional será devidamente responsabilizado, nos termos do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. O Conselho segue comprometido com a segurança do paciente, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem qualificada, responsável e comprometida com a vida.”
Investigações levam à prisão de técnicos de enfermagem
Na última passada, os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva foram presos durante a Operação Anúbis, deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com apoio do DPE (Departamento de Polícia Especializada). As informações são do R7.
Técnico de enfermagem é preso durante operaçãoVídeo: Polícia Civil/Reprodução/ND Mais
Além das prisões, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia, Ceilândia, Samambaia e Águas Lindas. O delegado Maurício Iacozilli, da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa, afirmou que um dos investigados também atuava em uma UTI neonatal.
O fato fez com que a investigação fosse acelerada. “Corremos com a investigação porque o autor principal, além de trabalhar nesse hospital, trabalhava também em uma UTI neonatal. Ficamos muito preocupados que ele pudesse agir contra bebês e crianças”, disse em entrevista à RECORD.