Atualização Mais Recente: 20 de janeiro de 2026 15:07
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descoberta a verdadeira cor de Marte que muda teoria sobre o planeta
Cientistas descobrem a verdadeira cor de Marte e se surpreendemFoto: Canva/ND Mais
Por décadas, Marte foi apresentado ao mundo como o “planeta vermelho”. No entanto, uma nova análise conduzida por cientistas da ESA (Agência Espacial Europeia) indica que essa imagem, popularizada por telescópios e missões antigas, está longe de representar a realidade completa do planeta.
A partir de mais de 20 anos de observações contínuas, pesquisadores europeus reconstruíram o mapa global mais preciso já feito da superfície marciana. O resultado aponta que a verdadeira cor de Marte é muito mais “diversificada” do que muitos imaginam.
Mapa global redefine a verdadeira cor de Marte
O estudo utilizou dados coletados pela sonda Mars Express, em operação desde 2003, equipada com a câmera HRSC (High Resolution Stereo Camera). A tecnologia permitiu criar um mosaico planetário com resolução média de 2 quilômetros por pixel, cobrindo praticamente toda a superfície do planeta.
O processo não foi simples. Cada imagem precisou passar por correções radiométricas e geométricas para compensar fatores como poeira atmosférica, neblina, variações de luz solar e diferentes ângulos orbitais.
Só depois disso as cores foram padronizadas, garantindo consistência científica.
Vale destacar que em 2021, três agências espaciais – dos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e da China – foram à Marte e fizeram descobertas revolucionárias. Veja abaixo:
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Este está sendo, definitivamente, um ano movimentado para Marte. Em fevereiro, três missões espaciais, dos Estados Unidos, da China e dos Emirados Árabes, chegaram ao planeta vermelho com poucos dias de diferença. Esta foi a primeira foto tirada pelo rover Perseverance, da Nasa, a agência espacial norte-americana – Nasa
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Nesta foto, também tirada pela Nasa, é possível ver o Perseverance sendo levado até a superfície pendurado ao foguete Atlas V-541. Em uma tarefa descrita pela agência espacial como “sete minutos de terror”, a espaçonave entrou na atmosfera a 19.500 km/h e teve que reduzir gradativamente a velocidade a 2,7hm/h – Nasa
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Já este clique foi tirado pelo próprio Perseverance, quando o rover estava em solo. Desde então, o veículo tem percorrido a superfície marciana a fim de investigar sinais de vida microbiana antiga no planeta vermelho, o principal objetivo da missão Mars 2020 Perseverance – Nasa
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Esta foto, tirada em abril, cerca de dois meses após o pouso da Nasa, foi uma das que deram o que falar. O clique viralizou na internet e internautas se questionaram se o aparente fenômeno luminoso poderia ser um arco-íris. Após a repercussão, astrônomos da agência espacial se pronunciaram e explicaram que tudo não passava de mera ilusão de ótica provocada pelo reflexo das lentes da câmera – Nasa
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Mais recentemente, outra foto divulgada pela Nasa também chamou a atenção de internautas. Esta, no entanto, não foi tirada pelo Perseverance, mas sim, pela câmera HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment), que desde 2005 viaja a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter). As lentes conseguiram capturar o rover chinês Zhurong e seu módulo de pouso na área de Utopia Planitia, uma região de solo liso e quase sem rochas, onde o veículo pousou Nasa – Nasa
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A missão da Cnsa, a agência espacial chinesa, passou um tempo na órbita de Marte antes de iniciar o pouso. Durante esse período, foram feitos registros inéditos do planeta. Somente em 14 de maio Zhurong realizou uma descida bem-sucedida até o solo marciano – Cnsa
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Nesta foto, também tirada da órbita de Marte pela Cnsa, é possível ver o hemisfério sul do planeta obscurecido por não receber luz solar no momento do registro. A imagem foi capturada pela sonda Tiawen-1, que junto com Zhurong, ajudará os chineses a buscar e mapear a distribuição de água congelada na superfície e subsolo do planeta vermelho – Nasa/ND Mais
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Este clique, por sua vez, muito parecido com o anterior, retrata o hemisfério norte de Marte obscurecido pela luz solar e também foi tirada pela sonda Tianwen-1. O veículo não tripulado recebe o mesmo nome da missão tripla chinesa, considerada por muitos astrônomos a mais ousada de todos os tempos — uma vez que o objetivo era não só orbitar, como pousar e explorar a superfície do planeta vermelho – Cnsa
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Mais recentemente, a Cnsa divulgou as primeiras fotos da superfície de Marte. Nesta foto, Zhurong aparece posicionado lado a lado do seu módulo de pouso – Cnsa
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O rover chinês também conseguiu tirar esta bela foto do solo marciano. O clique foi feito área de Utopia Planitia, mesma região fotografada de cima pela câmera da Nasa – Cnsa
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Esta foto da órbita de Marte foi a única feita pela sonda Hope, dos Emirados Árabes, e divulgada até o momento. O objetivo da missão, a primeira enviada pelos árabes ao planeta vermelho, é estudar a atmosfera local, criando uma espécie de “mapa do clima” ao longo de um ano marciano – Uaesa
O que aparece quando o “vermelho” sai de cena
Ao contrário do tom único que consagrou Marte no imaginário popular, o novo mapa revela uma paleta complexa de cores. Tons de cinza, amarelo, laranja, marrom e até azul claro aparecem distribuídos pelo planeta.
Essas variações não são estéticas. Elas indicam a composição geológica e química do solo marciano:
Cinza escuro aponta para fluxos de lava antigos e planícies vulcânicas.
Amarelo e verde claro sugerem áreas ricas em argila, um mineral que se forma na presença de água.
Azul claro está associado a partículas finas e diferentes processos de intemperismo.
Segundo os cientistas, o famoso tom avermelhado vem principalmente do óxido de ferro, presente na poeira que recobre grandes áreas do planeta, mas não define sua superfície como um todo.
A verdadeira cor de marte não parece nada com o que se imaginaFoto: Divulgação/ESA/ND Mais
Um novo olhar sobre o planeta vermelho
Para a ESA, o avanço não está apenas na imagem final, mas na possibilidade de comparar a mesma região de Marte sob condições diferentes ao longo do tempo. Trajetórias orbitais repetidas permitiram eliminar distorções e chegar a um retrato mais fiel do planeta.
O resultado redefine a forma como Marte é apresentado ao público e à ciência. Mais do que vermelho, ele é um planeta geologicamente diverso, com pistas visuais importantes sobre seu passado, e sobre o que ainda pode ser descoberto.