Uma mulher desmaiou e precisou ser socorrida por uma ambulância após ser submetida a uma punição de 140 chibatadas em praça pública na província de Aceh, na Indonésia. O motivo da sentença, executada sob olhares de curiosos, foi a prática de sexo fora do casamento e o consumo de bebidas alcoólicas.
O caso, reportado pela agência de notícias AFP, ocorreu em um parque público onde o casal recebeu, ao todo, 280 golpes (140 chibatadas cada) de vara de rattan nas costas. A sentença foi dividida da seguinte forma para cada um:
- 100 chibatadas pela relação sexual pré-conjugal;
- 40 chibatadas pelo consumo de álcool.
Enquanto o homem resistiu ao castigo, a mulher não suportou a intensidade da dor e perdeu os sentidos logo após o encerramento da punição. Até o momento, não há atualizações detalhadas sobre o seu estado de saúde após o atendimento emergencial.
Província de Aceh, na IndonésiaFoto: Britannica/Reprodução/ND Mais140 chibatadas, punição e dor: o rigor da Sharia em Aceh, na Indonésia
Desde 2001, a província de Aceh é a única região da Indonésia que adota a Sharia — o sistema jurídico baseado em interpretações conservadoras do Islã. Por lá, comportamentos que em grande parte do mundo são questões de foro íntimo ou escolhas pessoais são tratados como crimes graves.
A legislação local é rígida e prevê o açoitamento público para diversas infrações, tais como:
- Relações sexuais fora do casamento ou homoafetivas;
- Consumo de álcool e prática de jogos de azar;
- Proximidade física excessiva entre casais não casados;
- Ausência de homens nas orações de sexta-feira.
Outras condenações no mesmo dia
O casal não foi o único alvo da justiça local com as 140 chibatadas nesta data. Outras seis pessoas passaram pelo mesmo palanque de punição. Entre os casos, chamou a atenção a condenação de um próprio agente da Sharia e sua parceira. Eles foram flagrados em “situação de proximidade” e receberam 23 chibatadas cada.
A prática das chibatadas em Aceh é frequentemente alvo de críticas de organizações internacionais de direitos humanos, que classificam a punição como tortura e tratamento degradante.
No entanto, as autoridades locais mantêm a aplicação da lei, contando com o apoio de setores conservadores da população regional.
*Com informações de AFP.


