A decisão arriscada da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, de convocar eleições antecipadas resultou em uma vitória histórica para o Partido Liberal Democrático (PLD). Segundo projeções divulgadas pela emissora pública NHK, a legenda conquistou mais de 310 das 465 cadeiras da Câmara Baixa nas eleições realizadas neste domingo (8), garantindo uma maioria de dois terços inédita para um único partido desde a Segunda Guerra Mundial.
A eleição foi tratada como um verdadeiro referendo sobre a liderança de Takaichi, que assumiu o cargo há menos de quatro meses e se tornou a primeira mulher a comandar o governo japonês. A coalizão governista mais ampla, formada pelo PLD e pelo Partido da Inovação do Japão, deve alcançar mais de 340 cadeiras, assegurando controle total das comissões parlamentares.
Em entrevista à NHK, a primeira-ministra agradeceu aos eleitores pela participação, mesmo diante das condições climáticas adversas. “Queria um mandato claro para implementar uma política fiscal responsável e proativa, capaz de transformar significativamente a economia e as finanças públicas”, afirmou.
Popularidade e estratégia política
Ao dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas, Takaichi buscava converter sua elevada popularidade em um mandato sólido para o PLD, enfraquecido nos últimos anos por um escândalo envolvendo o uso indevido de fundos políticos. A estratégia se mostrou bem-sucedida, reforçando sua liderança e abrindo caminho para avançar uma agenda de expansão fiscal na quarta maior economia do mundo.
A imagem pública da primeira-ministra foi fortalecida por sua intensa presença nas redes sociais, estilo de liderança firme e episódios que viralizaram internacionalmente, como uma apresentação improvisada de bateria ao lado do presidente sul-coreano, Lee Jae-myung.
Apoio internacional e desafios internos
Takaichi conta com o apoio declarado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elogiou publicamente sua liderança e anunciou planos de recebê-la em Washington nos próximos meses. A relação próxima entre os dois líderes remete à antiga parceria entre Trump e o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, mentor político de Takaichi, assassinado em 2022.
Apesar do resultado expressivo, a primeira-ministra enfrenta desafios significativos, como o rápido envelhecimento da população japonesa, o aumento do custo de vida, a desvalorização do iene e o desgaste das relações com a China. Declarações recentes sobre Taiwan, nas quais Takaichi indicou a possibilidade de resposta militar japonesa em caso de ataque chinês à ilha, provocaram retaliações econômicas e diplomáticas de Pequim.
Oposição enfraquecida
O maior partido de oposição, a Aliança Reformista Centrista, sofreu uma derrota expressiva, perdendo mais de 100 das 167 cadeiras que ocupava. O resultado consolida o domínio do PLD no parlamento e amplia a margem de manobra do governo para implementar reformas e conduzir a política externa japonesa em um cenário regional cada vez mais tenso.
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