Quarta escola a desfilar na segunda noite do Carnaval de Florianópolis 2026, a União da Ilha da Magia fez da Passarela Nego Quirido um verdadeiro laboratório de sonhos com o enredo “O Poder da Criação!”. Diretamente da Lagoa da Conceição, a escola celebrou a força de criar, seja pela fé, pela arte ou pela própria capacidade humana de transformar o mundo.
Comissão de frente entrega amor pelas invenções Foto: Mafalda Press/ND MaisA agremiação levou cerca de 1.800 componentes, divididos em 17 alas e dois carros alegóricos.
Com as cores verde, branco e ouro, a agremiação, que soma quatro títulos no Grupo Especial e foi terceira colocada em 2025, apresentou um desfile que percorre marcos da inventividade humana, das primeiras civilizações à era contemporânea, culminando na exaltação do samba como criação genuinamente brasileira.
Comissão de frente representa a centelha criadora
Coreografada por Roberto Skiante, a comissão de frente, intitulada “Chamas da Criação”, representou o nascimento da capacidade inventiva da humanidade. Com figurinos em tons de laranja e dourado, os integrantes simbolizaram o fogo como energia transformadora e ponto de partida das grandes invenções.
Comissão de frente entrega amor pelas invenções Foto: Mafalda Press/ND MaisO primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Leandro Murillo e Isadora Lima, apresentou o pavilhão com a indumentária “Arquitetos do Infinito da Criação”, fazendo referência às engrenagens e à engenhosidade humana. Isadora retorna à passarela após cinco anos afastada.
Mestre-sala e porta-bandeira da União da Ilha da Magia Foto: Mafalda Press/ND MaisPrimeiro setor e as primeiras invenções
No primeiro setor, a escola abordou a invenção da escrita na Mesopotâmia, o surgimento do papel na China e o concreto romano. A ala dedicada à escrita trouxe figurinos em tons terrosos, remetendo às tabuletas de argila.
A corte da escola representou diferentes formas de medir o tempo, como o relógio de sol, o relógio astronômico chinês e a clepsidra grega.
Família reunida para mais um Carnaval representando a União Ilha da MagiaFoto: Leandra da Luz/ND MaisNa escola desde 2008, Michelle da Silva vive o Carnaval como um projeto de família. Esposa do diretor de harmonia, ela desfila ao lado da sogra, que é baiana, do cunhado, mestre de bateria, da cunhada cantora e dos dois filhos, que integram a ala das crianças.
Mesmo com a chuva, ela não escondeu o sentimento ao entrar na avenida. “É muita emoção. A gente até se decepciona um pouco por causa da chuva, mas é alegria acima de tudo. A gente vem pra mostrar que a União da Ilha veio pra ficar.”
Abre-alas homenageia Leonardo da Vinci
Leonardo da Vinci é homenageado no abre-alas da União da Ilha da MagiaFoto: Mafalda Press/ND MaisO abre-alas foi dedicado ao Renascimento, com destaque para Leonardo da Vinci. A alegoria trouxe referências arquitetônicas clássicas e elementos inspirados em máquinas voadoras desenhadas pelo artista. No topo, uma escultura monumental simbolizou o espírito criador renascentista.
A ala seguinte celebrou a prensa de Gutenberg e a disseminação do conhecimento.
Navegações, telescópio e revolução industrial
A bateria Tribuzana, sob comando de Mestre Eltinho, que estreia como mestre de bateria em 2026, representou a criação da caravela, símbolo das grandes navegações.
Aviões também aparecem como invenções transformadorasVídeo: Leandra da Luz/ND Mais
No terceiro setor, a Revolução Industrial foi retratada por meio de referências à máquina a vapor e à locomotiva, destacando as transformações econômicas e sociais do período.
Homenagem ao samba
O enredo encerra com a valorização do samba como criação coletiva e identidade cultural. A Gaivota Real, símbolo da escola, representa os 25 anos da fundação da agremiação como escola de samba, oficializada em 13 de maio de 2008.
Fundada na Lagoa da Conceição, a União surgiu a partir de uma bateria show nos anos 1990, tornou-se bloco carnavalesco em 2000 e consolidou-se como escola após o tricampeonato nos desfiles de blocos.
Mas um dos momentos mais marcantes da noite foi o de Dona Zuma, de 82 anos. Ela realizou o sonho antigo de desfilar em uma escola de samba e entrou na avenida acompanhada pela família, pela fisioterapeuta, Gisela Cristina da Silva, e pelo seu médico, Antônio Machado.
Aos 82 anos, Dona Zuma atravessou a Passarela Nego Quirido e provou que não existe idade para viver o Carnaval
Vídeo: Leandra da Luz/ND Mais
Ao lado da equipe que a acompanha, viveu uma noite histórica. Entre os destaques, o sentimento era de pura entrega. “É uma alegria”, comenta dona Zuma com um sorrisão no rosto.
A escola encerrou sua apresentação faltando cerca de 30 segundos para o tempo acabar sob aplausos do público na Nego Quirido.


