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Atleta da Ucrânia acionará Justiça após veto do COI

O atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych anunciou que vai recorrer à Justiça após ser desclassificado das Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina por utilizar um capacete com imagens de atletas mortos na invasão da Ucrânia pela Rússia. A decisão foi mantida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), com respaldo do Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).

Heraskevych participaria da competição na última quinta-feira, mas foi impedido de competir por descumprir as “Diretrizes do COI sobre Expressão dos Atletas”. A entidade entendeu que o capacete, que trazia fotos de vítimas do conflito, configurava manifestação política durante os Jogos.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o atleta afirmou que não cometeu infração e que seguirá lutando judicialmente.

“Eles queriam desvalorizar o sacrifício deles — mas só desvalorizaram a si mesmos. Apesar da decisão do CAS, eu ainda acredito sinceramente que não cometi nenhuma infração da qual o COI me acusa. Vou continuar lutando pelos meus direitos junto com minha equipe de advogados”, declarou.

Homenagem a atletas mortos

O capacete utilizado por Heraskevych exibia imagens de esportistas ucranianos que morreram durante a guerra. Entre eles estavam o patinador artístico Dmytro Sharpar e o biatleta Yevhen Malyshev, morto em março de 2022.

Segundo o atleta, alguns dos homenageados eram amigos pessoais. Ele já havia realizado manifestações contra a guerra em edições anteriores dos Jogos Olímpicos, incluindo um protesto durante os Jogos de Pequim, quando exibiu um cartaz com a frase “Não à guerra na Ucrânia”.

Após a proibição, a Ucrânia apresentou recurso contra a decisão do COI, defendendo que o “capacete da memória” não representava manifestação política, mas uma homenagem humanitária. O pedido foi rejeitado sob o argumento de violação às regras da Carta Olímpica relativas à expressão política.

Repercussão internacional

A decisão gerou reações no cenário internacional. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticou o COI e acusou a entidade de favorecer a Rússia ao permitir a participação de atletas russos sob determinadas condições.

Heraskevych também questionou a presença de atletas russos nos Jogos Paralímpicos, que ocorrem na sequência das Olimpíadas de Inverno. Segundo ele, a autorização para competir sob bandeiras e símbolos nacionais envia uma mensagem equivocada em meio ao conflito.

“Não lutamos apenas no campo de batalha. A luta acontece em muitas esferas e, infelizmente, o esporte não é exceção”, afirmou.

Criação de fundo para famílias de atletas

Ao final do vídeo, o atleta anunciou que pretende criar uma organização de apoio às famílias de esportistas ucranianos mortos na guerra. A proposta é estabelecer um fundo permanente de arrecadação para garantir assistência às famílias das vítimas.

“Devemos apoiar as famílias desses atletas não apenas com palavras, mas com ações”, destacou.

O caso reacende o debate sobre os limites de manifestações políticas nos Jogos Olímpicos e sobre o papel das entidades esportivas internacionais diante de conflitos armados.


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