A região Sul concentra 17,4% dos mais de 375 mil casos de diarreia registrados ao longo de 2026 em todo o Brasil. Em Santa Catarina, mais de 90% dos municípios já registraram ao menos um diagnóstico das chamadas DDA (Doenças Diarreicas Agudas).
Conforme dados do Ministério da Saúde, o Estado contabilizou 32.270 casos até o fim de janeiro. O número, contudo, pode ser ainda maior uma vez que nem todo paciente recorre a atendimento médico.
Dentre os 295 municípios catarinenses, de acordo com os dados do painel de monitoramento, apenas cinco cidades não registraram nenhum caso de diarreia em 2026. São elas:
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- Bom Jesus
- Cordilheira alta
- Marema
- São Bernardino
- Urubici.
Os municípios de Chapadão do Lajeado e Tigrinhos registraram, em 2026, apenas um caso de DDA cada.
O que provoca explosão de casos de diarreia?
Em entrevista ao ND Mais, a médica infectologista Priscila Gabriella Carraro Merlos explicou que essas doenças são causadas por agentes infecciosos, principalmente vírus, bactérias e parasitas.
“A transmissão ocorre pela via fecal-oral, através da ingestão de água ou alimentos contaminados, contato com superfícies ou objetos contaminados, e pelo contato direto com pessoas doentes por meio de mãos não higienizadas”, explicou a especialista, que atua na rede hospitalar e de planos de saúde Hapvida.
Casos de diarreia em SC tendem a aumentar durante o verãoFoto: Diego Vara/Agência Brasil/ND MaisOs casos da doença, contudo, tendem a aumentar durante a alta temporada no Estado, principalmente em cidades em que as praias são o principal atrativo. As altas temperaturas favorecem a multiplicação de microrganismos nos alimentos, especialmente quando a conservação é inadequada.
“Nessa época, também aumenta o consumo de alimentos preparados e adquiridos fora de casa e maior exposição a águas recreacionais que podem estar contaminadas. A concentração é maior no litoral, justamente onde há maior fluxo de turistas e moradores neste período”, pontuou a médica.
Segundo a especialista, o volume de casos ainda é menor do que a metade do registrado no mesmo período de 2025, o que indica um comportamento sazonal esperado e não caracteriza um surto fora do padrão.
Crianças e idosos estão entre os mais afetados, diz especialista
De acordo com a médica, os grupos mais vulneráveis aos casos de diarreia são crianças menores de 5 anos e idosos acima de 60 anos. Em pacientes nessa faixa etária, há maior risco da doença evoluir para desidratação grave e complicações. “As crianças pequenas têm proporcionalmente maior perda de água, menor reserva corporal e muitas vezes dificuldade para manter a hidratação adequada”, frisou ao ND Mais.
Quadro de diarreia pode ser provocado por diferentes fatores, afirma infectologistaFoto: Pexels/Divugalção/NDSegundo a infectologista, a grande maioria das diarreias agudas é autolimitada e evolui para cura sem necessidade de medicamentos específicos. O tratamento se baseia em manter a hidratação com soro de reidratação oral e líquidos, além de adaptar a alimentação durante o quadro agudo.
“A dieta deve ser leve, pobre em fibras e pobre em gorduras, pois ambos podem piorar a diarreia. O aleitamento materno deve ser mantido nas crianças amamentadas. Antidiarreicos, antieméticos e antiespasmódicos são contraindicados, pois podem mascarar a gravidade ou piorar o quadro”, destacou ao ND Mais.
Como prevenir a contaminação?
A DDA é caracterizada pela ocorrência de três ou mais episódios de diarreia aguda em 24 horas, com fezes líquidas ou amolecidas, e aumento do número de evacuações, podendo ser acompanhada de cólicas abdominais, febre ou muco nas fezes.
Higienização correta das mãos pode ajudar a evitar casos de diarreiaFoto: Freepik/ND MaisA prevenção da doença é possível a partir de medidas simples, mas que fazem toda diferença para manter a saúde gastrointestinal em dia. Dentre elas, estão:
- lavagem correta das mãos com água e sabão, especialmente antes de preparar e consumir alimentos após usar o banheiro e após trocar fraldas;
- consumir apenas água tratada, ou resfriada após fervura;
- consumir alimentos bem cozidos e higienizados;
- manter a cadeia de frio dos alimentos, evitando deixá-los expostos ao calor por longos períodos;
- manter a vacinação em dia, incluindo a vacina contra o Rotavírus no calendário infantil.
Redobrar a atenção com alimentos comprados na praia e evitar banho em águas com suspeita de contaminação ou em praias com balneabilidade comprometida também estão entre as principais medidas para evitar a doença.