A Dinamarca anunciou um conjunto de medidas para fortalecer a defesa da Groenlândia, respondendo a um contexto de crescente pressão dos Estados Unidos sobre o arquipélago no Ártico e de preocupações com sua segurança.
A estratégia envolve reforço de tropas, modernização de equipamentos, expansão de infraestrutura militar e adaptações legais para garantir a prontidão das forças dinamarquesas no território que é, ao mesmo tempo, parte do Reino da Dinamarca e membro da OTAN.
Reforço na Groenlândia e equipamentos modernizados
O comando militar dinamarquês está orientado para reforçar a capacidade de projeção de força no Atlântico Norte e no Ártico, com foco claro na Groenlândia.
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As Forças Armadas têm aproximadamente 9 mil militares ativos, distribuídos entre os ramos terrestre, naval e aéreo, além de uma guarda voluntária que cresceu nos últimos meses.
A Marinha Real opera mais de vinte navios, incluindo fragatas dotadas de sensores e armamentos versáteis, e navios de patrulha oceânica que ampliam a vigilância das águas groenlandesas.
Em relação à Força Aérea, a Dinamarca está no meio de um processo de substituição de seus caças F-16 por aeronaves F-35 Lightning II.
O país prevê expansão da frota para 43 unidades até 2027, juntamente com a possibilidade de estacionar esses caças em aeroportos estratégicos como o de Kangerlussuaq.
Investimentos no Ártico e adaptação de forças
O governo de Copenhague decidiu elevar o orçamento de defesa para cerca de 2% do PIB em 2026, cifra que reflete décadas de investimentos abaixo desse patamar.
Parte desse orçamento está sendo alocada para reforçar a presença no Ártico, com novas embarcações polares, aeronaves de patrulha marítima e sensores avançados, além da construção de uma nova sede do Comando Ártico em Nuuk, na Groenlândia.
O serviço militar obrigatório foi reformulado para responder a esse contexto. A duração da formação foi ampliada de quatro para quase onze meses, e as mulheres agora também integram a conscrição, com a meta de aumentar o contingente de recrutas ao longo dos próximos anos.
Trump já sinalizou interesse no território da GroenlândiaFoto: Reprodução Annie Spratt/UnsplashContexto geopolítico e declarações dos EUA
A intensificação da estratégia militar dinamarquesa ocorre em resposta a declarações recentes da administração dos Estados Unidos que reacenderam controvérsias sobre o futuro da Groenlândia.
A Casa Branca colocou em discussão opções para que Washington assumisse o controle do território, incluindo o uso das Forças Armadas para esse fim, parte de uma narrativa que destaca a importância estratégica do arquipélago para a segurança norte-americana no Ártico.
Em Copenhague, a primeira-ministra Mette Frederiksen respondeu de forma enfática a essas declarações, alertando que uma tentativa de tomada militar de um território de um membro da OTAN poderia “marcar o fim da própria aliança”.
Autoridades dinamarquesas e groenlandesas ressaltam que qualquer mudança no status da ilha deve ser decidida por seus habitantes, rejeitando a ideia de alienação territorial.
Reações na OTAN e no palco internacional
Apesar das tensões, o comando militar da OTAN tem avaliado que a aliança permanece robusta e pronta para defender cada centímetro de seu território, incluindo a Groenlândia, e que a atual situação não representa uma crise que comprometa imediatamente seu funcionamento.
O general Alexus Grynkewich, chefe militar aliado, afirmou que as operações e planos da OTAN seguem sem impacto direto por causa das declarações recentes.
Exercícios militares conjuntos e a cooperação com países aliados continuam a ser mecanismos centrais da estratégia de segurança no Ártico, com manobras planejadas para testar prontidão e interoperabilidade nas condições extremas da região