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EUA lançam “clube” e Caiado negocia aportes para Goiás

J.D. Vance abriu uma reunião em Washington com países aliados para criar parcerias para a exploração e comercialização de minerais críticos.Foto: Internet/Reprodução/ND

Os Estados Unidos reuniram mais de 50 países em Washington, nesta quarta-feira (4), para apresentar uma estratégia diplomática e comercial voltada a minerais críticos (ou terras raras) — termo usado para designar matérias-primas essenciais à economia, usados especialmente nas indústrias de tecnologia e baterias. O encontro teve participação de representações estrangeiras, incluindo a embaixada do Brasil, e foi conduzido pelo secretário de Estado Marco Rubio, com a presença do vice-presidente JD Vance.

Na mesma data, o governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), esteve em Washington em reuniões com representantes do governo norte-americano sobre a exploração de terras raras no seu estado.

Na abertura da conferência, o vice-presidente norte-americano defendeu a criação de uma “zona preferencial” entre parceiros e a adoção de preços de referência que funcionariam como um piso, sustentado por tarifas ajustáveis para integrantes do arranjo — mecanismo que, na prática, busca reduzir a volatilidade e diminuir a influência de mercados dominantes sobre o restante da cadeia.

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O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também esteve em Washington para negociar aportes para as atividades de exploração de minerais críticos no seu estado. Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados/ND MaisO governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também esteve em Washington para negociar aportes para as atividades de exploração de minerais críticos no seu estado. Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados/ND Mais

Caiado em Washington: minerais críticos e terras raras em Goiás

Segundo o governo estadual, Goiás abriga a única mina privada em operação comercial no Brasil, a Serra Verde, no município de Minaçu. O projeto recebeu aportes financeiros dos Estados Unidos e é usado por Caiado como vitrine de sua gestão no estado.

O governo goiano, em nota, também destacou outro projeto em fase de implantação nos municípios de Nova Roma e Aparecida de Goiânia, com investimento estimado em R$ 2,8 bilhões. Segundo o governador, outras “alianças estratégicas” foram firmadas no encontro, incluindo uma parceria com autoridades japonesas, que se reuniram com Caiado em Washington.

Minerais críticos: FORGE, financiamento e reposicionamento de cadeias

O encontro em Washington formalizou o lançamento do FORGE (Forum On Resource Geostrategic Engagement, ou Fórum para o Compromisso Geoestratégico em Recursos, em tradução livre) como iniciativa que sucede a MSP (Minerals Security Partnership, ou Parceria para a Segurança de Minerais), com o objetivo declarado de ampliar a cooperação entre países “alinhados” em políticas públicas, comércio e investimentos no setor mineral. O Japão informou que a criação do FORGE foi anunciada na reunião e que houve debate sobre cooperação comercial e de investimentos.

A movimentação veio acompanhada do anúncio de instrumentos de financiamento. A DFC (Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA), braço de investimentos internacionais do governo americano, assinou um acordo de empréstimo de US$ 565 milhões para otimização e expansão da mina de terras raras Pela Ema, operada pela Serra Verde no Brasil, com foco em ampliar a oferta “alinhada ao Ocidente” desses insumos. A empresa publicou um comunicado confirmando o valor e a meta de expansão operacional até 2027.

Piso de preços e “zona preferencial” para minerais críticos

No eixo comercial, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) anunciou um Plano de Ação com o México para minerais críticos, com a proposta de coordenar políticas e mecanismos para reduzir vulnerabilidades nas cadeias. Em paralelo, EUA, União Europeia e Japão discutem planos semelhantes de coordenação, como parte de um desenho mais amplo de “clubes” de fornecimento e processamento.

Outro pilar anunciado foi o Project Vault, descrito pelo EXIM (Banco de Exportação e Importação dos EUA) como iniciativa para uma reserva estratégica doméstica de minerais críticos, lastreada em um empréstimo direto de até US$ 10 bilhões, aprovado pelo conselho do banco.

A estratégia tem repercussões geopolíticas imediatas. A China reagiu criticando a formação de blocos exclusivos e disse se opor a regras de “pequenos círculos” que, segundo Pequim, desorganizariam a ordem econômica e comercial internacional, segundo declarações do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian.

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