Um grupo de garis foi vítima de ofensas racistas durante o trabalho de coleta de lixo na tarde desta quinta-feira (29), em Lages, na Serra Catarinense.
O episódio aconteceu no bairro Santa Helena e terminou com a prisão de uma mulher de 60 anos, após a confirmação das agressões verbais.
Garis sofrem racismo durante coleta de lixo e moradora é presa em Lages
Segundo o relato de uma das vítimas, tudo começou durante a rotina de trabalho, quando informou que não poderia recolher entulhos deixados sobre a calçada, já que o material não faz parte da coleta regular.
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A negativa teria provocado a reação exaltada de uma moradora da rua.
De acordo com o trabalhador e com pessoas que presenciaram a cena, a mulher passou a dirigir ofensas relacionadas à cor da pele dos profissionais que atuavam no local. Neste momento, a Polícia Militar foi acionada.
Os policiais foram até o endereço, conversaram com os envolvidos e ouviram testemunhas.
No interior de uma residência, a moradora foi localizada e, após os relatos serem confirmados, recebeu voz de prisão pelo crime de racismo.
A mulher foi levada à Polícia Judiciária para os procedimentos legais.
Garis tem água e uso de banheiro negados em Chapecó
O episódio em Lages ocorre após um caso de grande repercussão que ocorreu em Chapecó, no Oeste do estado. Na ocasião, garis denunciaram que tiveram água e uso de banheiro negados durante o trabalho, o que acabou gerando um movimento de conscientização e apoio por parte de comerciantes da cidade.
Embora diferentes, os episódios reforçam a discussão sobre racismo, preconceito e a valorização de quem cuida diariamente das cidades.
Entidade cultural de Lages divulga nota de repúdio
Diante da repercussão do caso, a Liesla (Liga Independente das Escolas de Samba de Lages) divulgou uma nota de repúdio, manifestando posicionamento contrário a qualquer forma de racismo, discriminação ou preconceito.
Na manifestação, a entidade destacou que representa expressões culturais historicamente construídas pela resistência, diversidade e valorização do povo negro, e afirmou que episódios como o ocorrido ferem a dignidade humana e reforçam desigualdades.
A Liesla ressaltou que o racismo é crime e vai na contramão dos valores defendidos pelas escolas de samba, descritas como espaços de inclusão, respeito, ancestralidade e luta por justiça social. A entidade também se solidarizou com as vítimas e defendeu a apuração rigorosa dos fatos, com a devida responsabilização conforme a lei.
Em um dos trechos mais enfáticos da nota, a liga reforçou: “Racismo não é opinião. Racismo é crime.”