Search
Close this search box.

governo acusa oposição de agir como pró-facção

Governo aguarda a aprovação da PEC da Segurança Pública para desmembrar o Ministério da Justiça e criar uma pasta específica para a área.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em tom de desafio à oposição e em defesa da autonomia da PF (Polícia Federal), o vice-líder do governo, Elvino Bohn Gass (PT-RS), apontou que a PEC da Segurança pública será o principal campo de batalha na reta final do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já preparando o terreno para as eleições de 2026.

Em entrevista exclusiva ao ND Mais, o parlamentar rebateu as acusações de que o governo Lula instrumentaliza a PF para perseguir adversários e, com a máxima do “doa a quem doer”, garante que as operações recentes tiveram total autonomia do Planalto para investigar a todos, independentemente do espectro político dos alvos.

O deputado classifica como sabotagem a resistência de parte do Congresso em aprovar a PEC da Segurança Pública e o projeto antifacção, um conjunto de propostas que visa integrar as polícias e criar um sistema nacional de inteligência. Para Bohn Gass, a direita opera na lógica do “quanto pior, melhor”, prejudicando o país em nome da disputa política.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

“Se não aprovar projeto antifacção, significa que a direita quer ser pró-facção. Se quer enfraquecer a Polícia Federal, é pró-facção”, dispara o petista, elevando o tom contra os opositores.

PEC da Segurança e a integração das polícias

Segundo o parlamentar, a PEC da Segurança elaborada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, é essencial para organizar o combate ao crime organizado interestadual, mas esbarra em interesses que ele vincula ao bolsonarismo. Bohn Gass sustenta que a integração das forças e a padronização do fluxo de informações são condições para uma resposta efetiva às facções, e afirma que o Planalto pretende fazer da pauta uma das prioridades legislativas de 2026.

Bohn Gass relembra um episódio presenciado na Câmara para reforçar sua tese de ligação entre a extrema direita e grupos criminosos: “Eu lembro o dia que o Bolsonaro falou, depois de um deputado da Bahia dizer que estava preocupado com a entrada das milícias no estado, que ele, o Bolsonaro, disse: ‘Manda para o Rio de Janeiro, que lá nós gostamos’ (das milícias)”. Na avaliação do vice-líder, esse tipo de fala revela uma tolerância com o crime organizado que contrasta com o discurso público de “lei e ordem”.

Bohn Gass afirma que a PEC da Segurança, elaborada pelo ministro Ricardo Lewandowski, é essencial para organizar o combate ao crime organizadoFoto: Arthur Ribeiro/Especial ND MaisBohn Gass afirma que a PEC da Segurança, elaborada pelo ministro Ricardo Lewandowski, é essencial para organizar o combate ao crime organizadoFoto: Arthur Ribeiro/Especial ND Mais

PF investigará ‘doa a quem doer’

Ao defender a isenção da Polícia Federal, o deputado cita investigações que atingem a própria base aliada ou setores próximos ao governo, como o caso envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA).

“Isso mostra que a PF atua de forma independente. (…) Se o erro está na esquerda, no centro, na direita, não importa: tem que investigar”, afirma, reiterando que a diretriz de Lula é não interferir no trabalho policial.

Bohn Gass também critica a atuação do deputado Guilherme Derrite (PP-SP),( que se licenciou da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, especialmente para relatar o projeto antifacção), e da bancada da bala, acusando-os de tentarem enfraquecer a Polícia Federal ao propor mudanças na destinação de bens apreendidos do tráfico. “A extrema direita sempre fala ‘mais cadeia’, mas, quando os deles vão para a cadeia, é menos cadeia; eles vêm com anistia. É contradição, hipocrisia”, avalia.

Olhando para 2026, o deputado projeta que a segurança pública será um tema decisivo e que o governo precisa comunicar melhor que a “paz e a tranquilidade” dependem de inteligência e integração, e não apenas de encarceramento em massa ou violência policial. Ele defende que a população precisa entender que a recusa da oposição em votar as pautas de segurança é uma escolha política que, na visão dele, favorece a criminalidade.

O parlamentar ainda reforça que o combate ao crime não pode ser seletivo e que a “dureza responsável” deve valer para todos. “Não podemos eleger um governo que traga de volta a desgraça aqui”, conclui, posicionando a aprovação das pautas de segurança como um divisor de águas entre o que chama de “civilização” e a conivência com o crime organizado.

Confira entrevista com vice-líder do governo no Congresso, Elvino Bohn Gass

Em 2026 o senhor vem à reeleição? E como aprovar tantas pautas do governo nesse ano eleitoral? Como a PEC da segurança pública, o projeto antifacção…

Se esses projetos não forem aprovados, quem vai perder é o Brasil. Eu lamento que a oposição esteja jogando no “quanto pior, melhor”.

Se não aprovar projeto antifacção, significa que a direita quer ser pró-facção. Se quer enfraquecer a Polícia Federal, é pró-facção.

O Lula é contra facção e estamos colocando Receita Federal e a Polícia Federal a investigar. E parece que tem muitos vínculos entre esses grandes sonegadores, que estão atrás desse grupo.

O governo usou a PF para investigar opositores?

Não. A orientação do presidente Lula é deixar trabalhar. Se o erro está na esquerda, no centro, na direita, não importa: tem que investigar. Doa a quem doer.

Para combater crime organizado, temos que estar organizados. A PEC da segurança que o Lewandowski fez é organizar um sistema de inteligência, todas as polícias numa ação forte para combater o crime.

Se a extrema-direita não quer aprovar isso é porque eles querem que continue esse mundo. A milícia, eu sei que eles têm vínculo. Eu lembro o dia que o Bolsonaro, que estava no microfone de apartes, e um deputado da Bahia disse que estava preocupado com a entrada das milícias no estado dele e o Bolsonaro falou: “Manda para o Rio de Janeiro, que lá nós gostamos”. Ele estava do meu lado. Isso está gravado.

Mas apesar da sua visão positiva de 2025, o governo foi bastante criticado na CPMI do INSS…

Se o Lula não tivesse entrado, talvez os idosos ainda estivessem sendo roubados. O que nós estamos mostrando na CPMI é que o governo passado, o Onyx, os ministros do Bolsonaro e o próprio Bolsonaro sabiam.

Quem disse que levou ao Bolsonaro que tinha problemas foi o senador Izalci, que é do PL. Ou seja: disseram ao Bolsonaro que estavam roubando e o Bolsonaro não fez nada.

O Moro e ministros sabiam, o Onyx sabia, e não fizeram nada. Então eu posso afirmar que, se eles tivessem continuado, os velhinhos poderiam ainda estar sendo roubados.

Quando o Lula entrou, começaram a trabalhar de forma inteligente: colocaram a Polícia Federal atrás para investigar. Foi o governo Lula que identificou, acabou com essa roubalheira e está devolvendo para os lesados. E continua apurando.

Teve mais ações da Polícia Federal e agora um senador do Maranhão, o Weverton (Rocha), que é do PDT, a PF está atrás. Isso mostra que a PF trabalha independente, doa a quem doer. Ele não está condenado, não serei precipitado: as investigações continuam. Mas isso mostra que, se fosse no governo passado, nada disso estaria acontecendo, pois Bolsonaro sabia, eles sabiam, e nada foi feito.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Jorginho Mello abre ano legislativo de 2026 na Alesc e destaca avanços de Santa Catarina

O governador Jorginho Mello (PL) abriu oficialmente, na tarde desta terça-feira (3), os trabalhos legislativos…

Nova final! Globo exibe segundo jogo da decisão da Supercopa neste sábado

Neste sábado, 7 de fevereiro, a TV Globo transmite ao vivo a segunda partida da…

Inscrições abertas para a Copa das Comunidades Içarense

Estão abertas as inscrições para a Copa das Comunidades Içarense, tradicional competição de futebol suíço…