A Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) é responsável por praticamente metade dos recursos destinados à ciência, pesquisa e inovação no estado, tendo investido R$ 266 milhões em 2024.
O restante da verba é dividido entre aportes federais de agências como a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
Os dados constam no Painel do Financiamento das Fundações de Amparo à Pesquisa, desenvolvido pelo Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência), da Unifesp, em parceria com o Conselho Nacional das FAPs (Fundações de Amparo à Pesquisa).
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Considerando a receita total arrecadada com impostos em Santa Catarina, o valor destinado via Fapesc representou apenas 0,26%. O percentual coloca o estado na 16ª posição nacional, abaixo da média brasileira de 0,39%.
O Rio de Janeiro lidera o ranking com 0,83%, enquanto estados como Rio Grande do Sul e Sergipe aplicam menos de 0,2%.
Em entrevista ao ND Mais, Fábio Pinto, presidente da Fapesc, esclareceu que o estado possui a obrigação constitucional de investir 2% do arrecadado em ciência, tecnologia e inovação. Este orçamento é dividido entre Fapesc e Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina).
“A Epagri tem um quadro de efetivo pesquisadores próprios, ao contrário da Fapesc, que fomenta universidades, instituições de ciência e tecnologia e o empreendedorismo. Historicamente, a proporção de investimento é de a cada R$ 1 para a Fapesc, R$ 3 vão para a Epagri”, explicou.
Segundo Fábio, os recursos são voltados principalmente para pagamento de folha, orçamento e viagens de pesquisadores e empreendedores.
“Em orçamento absoluto, somos a quarta maior Fundação de Amparo à Pesquisa do país, atrás apenas de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro”, concluiu.
O cenário do investimento em ciência em Santa Catarina
A dinâmica catarinense mostra um estado fortemente ligado à produção científica, mas que ainda enfrenta desafios relacionados ao esforço fiscal e à ampliação da densidade de pesquisadores.
Investimento em ciência no estado é majoritariamente feito pela FapescFoto: Imagem gerada por IA/ND MaisO painel identificou que as fundações estaduais assumem o protagonismo no financiamento em todo o país. Em 2024, as 27 FAPs corresponderam a 37,51% dos aportes nacionais, totalizando R$ 4,8 bilhões.
Em Santa Catarina, a Fapesc respondeu por 49% dos recursos locais (R$ 266 milhões). Já entre as agências federais, os valores foram:
- Capes: R$ 129 milhões (24%);
- CNPq: R$ 84 milhões (15%);
- Finep: R$ 62 milhões (11%).
Desempenho por habitante e investimento em ciência por pesquisador
Outros dados mostram que o investimento per capita da Fapesc corresponde a R$ 37,96 por habitante, o quarto maior do Brasil e bem acima da média nacional das FAPs (R$ 21,08). São Paulo lidera este indicador com R$ 61,48.
Fundações de Amparo à Pesquisa são os principais responsáveis pelo investimento em ciência no país Foto: Canva/ND MaisQuando analisado o investimento por pesquisador, Santa Catarina ocupa a sexta posição nacional, com R$ 18 mil. São Paulo lidera novamente com R$ 30,3 mil, elevando a média nacional para R$ 12,2 mil.
Estados como Maranhão (R$ 26 mil) e Espírito Santo (R$ 25,8 mil) também se destacam, enquanto o Rio Grande do Norte apresenta o menor valor (R$ 1,9 mil).
Maria Angélica Minhoto, coordenadora do Painel do Financiamento das FAPs, defende que a transparência nos dados é essencial para que a sociedade compreenda o valor da área. “Ciência não é gasto — é desenvolvimento, inovação e soberania”, concluiu.