O verão 2026 começa, oficialmente, neste domingo (21). A estação costuma ser marcada pelo aumento da temperatura e chuvas irregulares em Santa Catarina. Neste ano, contudo, os acumulados devem diminuir em algumas regiões e aumentar em outras áreas.
Apesar de ter iniciado com chuvas irregulares, dezembro promete volumes abaixo do esperado para a época, especialmente entre o Grande Oeste, Planalto Sul e Litoral Sul. A tendência está alinhada às características do fenômeno La Niña.
A previsão da Secretaria de Estado de Proteção e Defesa Civil é que o fenômeno continue influenciando no tempo até fevereiro de 2026. Neste ano, no Grande Oeste, os acumulados diminuirão ligeiramente, enquanto as áreas litorâneas devem registrar o período mais chuvoso do ano.
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Além disso, após uma primavera de temperaturas abaixo da média, as tardes ensolaradas de dezembro marcam o retorno do calor e o aumento da radiação, o que provoca dias mais longos. Esse cenário pode gerar impactos na situação hídrica e na produtividade agrícola.
Verão 2026 será de temporais isolados em Santa Catarina
Mesmo com a redução das chuvas, a estação mais quente do ano será marcada por temporais típicos do verão, associados ao calor e à umidade disponível. A situação pode provocar alagamentos, enxurradas e episódios pontuais de granizo.
As chuvas se tornam mais frequentes e por vezes intensas em janeiro, quando a circulação marítima passa a ser mais ativa. As principais áreas afetadas estão entre a Grande Florianópolis e o Norte catarinense, onde não são descartados eventos extremos. Em fevereiro, no auge do verão 2026, a chuva volta a ser irregular, enquanto a circulação marítima continua ativa no Litoral catarinense.
Grande Florianópolis e Norte catarinense devem ser as regiões mais afetadas por temporais isolados durante o verão 2026Foto: Divulgação/PMF/Allan Carvalho/ND MaisA previsão para o verão 2026 foi definida em consenso entre representantes da Secretaria de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, Epagri/Ciram, AlertaBlu e pesquisadores de instituições como IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) e da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), durante o 235º Fórum Climático Catarinense.
Fenômeno La Niña
A temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial está na casa dos 0,5°C abaixo da média, indicando um resfriamento típico das condições que antecedem a incidência do La Niña. Para que o fenômeno seja oficialmente declarado, contudo, essa anomalia precisa persistir por um período contínuo, o que ainda não ocorreu.
Mesmo sem a configuração formal do La Niña, seus efeitos já são sentidos no país, com mudanças no padrão de chuva e temperatura. Isso explica, por exemplo, a tendência de volumes mais irregulares e abaixo da média em algumas regiões de Santa Catarina.
Pico de ocorrências devido a mudanças no tempo
O trimestre de dezembro, janeiro e fevereiro, auge do verão 2026, concentra o maior número de ocorrências climáticas do ano. Os dados fazem parte do Perfil Histórico de Desastres, do PPDC-SC (Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina), que abrange 29 anos de dados (1995-2019) e 5540 ocorrências desse tipo.
La Niña deve causar volumes de chuva mais irregulares e abaixo da média em algumas regiões de Santa Catarina durante o verão 2026Foto: Reprodução/NDConforme o relatório, a primavera registra um aumento de tempestades severas provocadas por ciclones, frentes frias e outras instabilidades. Entre dezembro e fevereiro, contudo, as enxurradas se tornam mais frequentes, especialmente, em janeiro.
Esse comportamento está ligado, principalmente, às chuvas típicas do verão, que acumulam grandes volumes em curto intervalo de tempo, e também à intensificação da circulação marítima, responsável por transportar grandes quantidades de umidade para o litoral catarinense.
Além disso, o período é marcado por ocorrências de vendavais, resultantes das tempestades típicas de verão, que costumam provocar rajadas de vento mais localizadas, porém intensas.