Em um cenário de forte polarização no Brasil, direita e esquerda se movimentam para disputar espaços estratégicos nas eleições de 2026. Entre as prioridades dos partidos está a definição da eleição para o Senado de São Paulo, que tem grande peso no contexto nacional.
As negociações em volta das vagas trazem à tona disputas, acordos entre partidos e especulações sobre possíveis candidatos. No caso de São Paulo, a indefinição sobre o futuro de Tarcísio de Freitas (Republicanos), seja na reeleição para governador ou na disputa para presidente, chegou a gerar incertezas sobre como o cenário da direita e da esquerda deve se encaminhar ao longo de 2026.
Os nomes certos para a eleição para o Senado de São Paulo
Em 2026, o Senado Federal renovará 54 cadeiras, sendo duas em cada estado, seguindo o sistema de rodízio a cada quatro anos. Neste caso, a matemática é simples: os dois candidatos mais votados de cada estado serão eleitos.
Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir
Vale relembrar que o mandato dos senadores dura oito anos e cada senador tem dois suplentes, responsáveis por assumir o cargo em caso de afastamento.
Disputar a vaga no Senado se tornou estratégico para os partidos ampliarem influência e garantirem protagonismo nas decisões dos próximos quatro anos. A casa delibera sobre pautas importantes, como a aprovação de indicados para agências reguladoras e a análise de processos de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Tarcísio de Freitas, Governador de São PauloFoto: tarcisio 2Na direita, Guilherme Derrite (PP) já é pré-candidato. Até o início de dezembro, ainda não se sabia se seria para senador ou para governador, devido à indefinição sobre a disputa pela presidência, com especulações de que Tarcísio de Freitas (Republicanos) poderia concorrer à vaga.
Com a escolha feita por Jair Bolsonaro para que Flávio Bolsonaro (PL) dispute o pleito de 2026 para presidência, agora é provável que a disputa se encaminhe com Tarcísio buscando a reeleição como governador e Derrite, então, como senador.
Até o início de dezembro, Guilherme Derrite era o secretário de Segurança Pública de São Paulo, mas pediu exoneração para voltar ao antigo cargo, de deputado federal, para depois participar do pleito. Quem assumiu a secretaria foi o delegado Osvaldo Nico Gonçalves.
Senador Flávio BolsonaroFoto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/ND MaisJá entre as especulações fortes para a esquerda, o principal nome é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).
Em entrevista à CNN Brasil, Gleisi Hoffmann (PT) informou que é discutida a possibilidade de Haddad deixar o cargo de ministro em abril de 2026 para se dedicar à campanha eleitoral. Disse, ainda, que é preciso usar a força política que ele tem em São Paulo para reforçar a esquerda no estado.
Apesar de Haddad ser o nome mais cotado e mencionado para competir ao cargo, a pré-candidatura ainda não foi oficializada.
Fernando Haddad (PT) e Guilherme Derrite (PP) são os dois nomes mais fortes da esquerda e da direitaFoto: Diogo Zacarias/Lula Marques/Agência Brasil/ND MaisSegunda vaga para a direita
A outra vaga prevista pela direita para a eleição para o Senado de São Paulo era para Eduardo Bolsonaro (PL), que está nos Estados Unidos. Sem a volta do político para o país, a segunda vaga permanece incerta.
Como apurado anteriormente pelo ND Mais, o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, diz que a definição do segundo nome para a eleição do Senado de São Paulo ficará a cargo de Jair Bolsonaro.
Entre os cotados para substituir Eduardo Bolsonaro, estão os deputados federais Pastor Marco Feliciano (PL) e Cezinha de Madureira (PSD), além do vice-prefeito de São Paulo, Coronel Araújo Mello (PL).
Aliado de Tarcísio, o “prefeito tiktoker”, Rodrigo Manga (Republicanos), também busca seu papel no pleito de 2026.
Em setembro, o prefeito de Sorocaba publicou nas redes sociais que recebeu o convite do Republicanos para concorrer ao Senado Federal por São Paulo. No vídeo, ele brinca que perdeu os cabelos trabalhando como prefeito, vai colocá-los novamente para perdê-los enquanto estiver atuando em Brasília.
A candidatura, no entanto, segue sem confirmação.
Como a Esquerda se organiza
Como apurado anteriormente pelo ND Mais, a segunda vaga da esquerda para a eleição para o Senado de São Paulo pode ficar com a ministra do Planejamento e Orçamento do Brasil, Simone Tebet (MDB). Mas a informação da candidatura não chegou a ser oficializada.
Há especulações de que ela deixe o MDB, que em São Paulo estará com Tarcísio de Freitas. Ela pode se filiar ao PSB (Partido Socialista Brasileiro), que deixou as portas abertas para a ministra.
Há, também, o nome da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pela esquerda para a eleição para o Senado de São Paulo. De acordo com o UOL, ela avalia deixar seu atual partido, a Rede Sustentabilidade, para poder disputar o cargo. A ideia é que ela se filie ao PT, PSB ou PSOL.
A ministra já teria sido convidada pelo PSB e PSOL, e sondada pelo PT. Apesar dos convites e negociações, Marina ainda não definiu se vai sair do partido ou, de fato, concorrer ao Senado Federal.
Ainda, Erika Hilton (PSOL) é um nome ventilado para a eleição de 2026, seja como senadora ou como governadora. A definição, no entanto, ainda não foi confirmada e depende das alianças a serem feitas pela esquerda.