A eliminação do Avaí nas quartas de final do Campeonato Catarinense, diante do Camboriú, com derrota nos 90 minutos por 1 a0 e também nas cobranças de pênaltis por 4 a 2, confirmou exatamente aquilo que já vínhamos alertando e antecipando na coluna.
Não era um jogo para ser disputado com o regulamento embaixo do braço e administrado a partir da busca pelo empate. Pois o risco seria evidente: bastava um gol do Camboriú para levar a decisão aos pênaltis. E foi exatamente isso que aconteceu.
O Avaí que entrou em campo foi muito diferente daquele que vinha sendo visto ao longo da competição. O grande diferencial da equipe era o jogo coletivo, a obediência ao modelo proposto pelo treinador, a intensidade, a compactação defensiva, a forte marcação e a agressividade pelos lados do campo, com jogadores velozes e profundidade ofensiva. Nada disso apareceu contra o Camboriú. Faltou atitude, faltou intensidade e sobrou a sensação de que o peso da camisa e a vantagem do empate seriam suficientes para garantir a classificação.
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Do outro lado, houve mérito claro do adversário. O Camboriú foi mais organizado, mais intenso e estrategicamente superior, muito em função do trabalho do técnico Laécio Aquino. Que precisando vencer, no segundo tempo, colocou cinco jogadores no campo de ataque (Nilton, Matheusinho, Mansur, Wermeson e Kaká). E após o gol, trouxe Nadson e Hygor Ribeiro, jogadores de marcação para sustentar o resultado.
Lateral esquerdo DG e o atacante Gaspar, ambos do Avaí, em jogada de ataque contra o CamboriúFoto: Lucas Rhamon/AFC/NDA escalação inicial de Cauan de Almeida foi equivocada, especialmente na escolha de Gaspar, que vinha de protocolo de concussão e com pouquíssimas sessões completas de treinamento. Até começou bem, tentando jogadas pelo lado esquerdo, mas perdeu rendimento físico rapidamente. O erro maior foi manter a mesma equipe no intervalo.
Thayllon e Gaspar tiveram atuações muito abaixo, sem oferecer repertório ofensivo. O jogo, tecnicamente fraco, teve um primeiro tempo ainda pior. Após sofrer o gol — numa jogada com liberdade pelo meio, falha do goleiro Otávio e conclusão de Kaká —, Cauan tentou ajustar o meio-campo do Leão para ter mais posse de bola, mas abriu mão dos lados do campo. Sem pontas, o Avaí ficou previsível e sem profundidade.
A equipe até teve um gol de Luiz Henrique anulado, em uma rara jogada pelos lados, com Walace França pelo corredor direito, exatamente o caminho que vinha sendo construído ao longo do campeonato, e, o time Azurra teve uma oportunidade desperdiçada por Luiz Henrique, que caiu no pé direito, que não é o dominante do jogador. Muito pouco para quem era favorito e tecnicamente superior. Nos números, o Avaí teve mais posse 53%, mas o Camboriú finalizou mais (10 vezes) e com mais eficiência (cinco no gol), mostrando estratégia, vontade e competitividade.
É verdade que Cauan de Almeida perdeu peças importantes ao longo da competição e vinha se reinventando, mas tudo aquilo que o Avaí não foi contra o Camboriú foi competitivo.
Resta ao Avaí a disputa pela vaga na Copa do Brasil de 2027
Zé Ricardo, volante do Avaí, em progressão de jogada no jogo contra o Camboriú que gerou a eliminação do Avaí nas quartas de finalFoto: Lucas Rhamon/AFC/NDA eliminação tem, sim, caráter de vexame. O Avaí era além de favorito, por ter, mesmo com as limitações, melhor elenco que o Camboriú, tinha a vantagem por ter vencido o jogo de ida e de estar na presença de seus torcedores.
O Leão acreditou que poderia administrar, esqueceu de competir e foi punido. Méritos totais do Camboriú, que soube sofrer, atacar no momento certo e sustentar o resultado.
Ao Avaí, resta agora a Taça ACESC, buscando uma vaga na Copa do Brasil, começando contra o Santa Catarina e, se avançar, enfrentando Criciúma ou Concórdia.