Os pombos das cidades vivem, em média, apenas dois a três anos, um tempo surpreendentemente curto para uma ave tão conhecida, e que convive perto de humanos.
O motivo, porém, não está ligado ao envelhecimento natural ou à genética da espécie, mas às condições hostis do ambiente urbano, o que reduz a expectativa de vida desses animais.
Em centros urbanos, muitos pombos morrem ainda no primeiro ano de vida, segundo dados observacionais de pesquisadores e organizações de proteção animal.
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Em contraste, a mesma espécie pode viver até dez anos quando criada em ambientes controlados, com alimentação adequada e ausência de predadores.
O que encurta a vida dos pombos das cidades
A chamada pomba-doméstica urbana, comum em praças, calçadas e prédios, enfrenta uma combinação de fatores que afetam diretamente sua sobrevivênciaFoto: Canva/ND MaisA chamada pomba-doméstica urbana, comum em praças, calçadas e prédios, enfrenta uma combinação de fatores que afetam diretamente sua sobrevivência. Diferentemente do que se imagina, o principal problema não é genético, mas ambiental.
A alimentação irregular, muitas vezes baseada em restos de comida humana, pobres em nutrientes, compromete o sistema imunológico das aves. Além disso, proibições de alimentação em áreas públicas, comuns em grandes cidades, reduzem ainda mais as fontes seguras de comida.
Outro fator decisivo é a presença constante de predadores, como aves de rapina, além de gatos e até veículos. Somam-se a isso doenças parasitárias, infecções e a ausência quase total de atendimento veterinário.
Em cativeiro, a mesma espécie vive muito mais
Quando criados em ambientes protegidos, com dieta balanceada e acompanhamento adequado, os pombos urbanos demonstram um potencial de longevidade bem maior.
Por isso, em cativeiro, podem chegar a cerca de dez anos, o que reforça a ideia de que o tempo de vida reduzido nas cidades está diretamente ligado às condições externas.
Essa diferença ajuda a explicar por que pombos das cidades vivem tão pouco, mesmo sendo aves resistentes e altamente adaptáveis.
Nem todas as pombas vivem o mesmo tempo
O termo “pombo” engloba várias espécies, e a expectativa de vida varia bastante entre elas:
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Pombo-torcaz (ou pomba-das-madeiras): maior que o pombo urbano, pode viver entre 15 e 18 anos em condições favoráveis. Em alguns países europeus, a caça reduz significativamente esse tempo na natureza – Canva/ND Mais
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Rola-turca: mais esguia e com um anel escuro no pescoço, tem expectativa média de seis a nove anos, mas vive menos em áreas urbanas densas – Canva/ND Mais
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Pombos-brancos de criação: frequentemente usados em cerimônias, como casamentos, costumam ter baixa taxa de sobrevivência quando soltos, já que não estão adaptados à vida selvagem e se tornam presas fáceis – Canva/ND Mais
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Pomba-d’oca (ou pombo-das-cavernas): comum na Europa, vive cerca de oito a dez anos na natureza e pode chegar a 15 anos em cativeiro – Canva/ND Mais
- Pombo-torcaz (ou pomba-das-madeiras): maior que o pombo urbano, pode viver entre 15 e 18 anos em condições favoráveis. Em alguns países europeus, a caça reduz significativamente esse tempo na natureza.
- Rola-turca: mais esguia e com um anel escuro no pescoço, tem expectativa média de seis a nove anos, mas vive menos em áreas urbanas densas.
- Pombos-brancos de criação: frequentemente usados em cerimônias, como casamentos, costumam ter baixa taxa de sobrevivência quando soltos, já que não estão adaptados à vida selvagem e se tornam presas fáceis.
- Pomba-d’oca (ou pombo-das-cavernas): comum na Europa, vive cerca de oito a dez anos na natureza e pode chegar a 15 anos em cativeiro.
Falta de cuidado agrava o problema
Outro ponto central é a percepção negativa sobre os pombos urbanos. Considerados por muitos como pragas, esses animais raramente recebem cuidados, mesmo quando feridos ou doentes.
A ausência de políticas públicas voltadas ao manejo ético e sanitário da população de pombos contribui para o ciclo de mortalidade precoce.
Especialistas em bem-estar animal apontam que controle populacional responsável, alimentação adequada e espaços de abrigo poderiam aumentar significativamente a longevidade dessas aves nas cidades.
Um retrato da relação entre cidades e vida animal
Entender por que pombos das cidades vivem tão pouco ajuda a revelar um problema maior, a forma como os ambientes urbanos impactam a fauna que vive ao nosso redor.
Resistentes, adaptáveis e inteligentes, os pombos sobrevivem apesar das cidades, não por causa delas.