Nesta terça-feira (27), às 12h, cientistas adiantaram em quatro segundos o Relógio do Apocalipse. A decisão reflete o agravamento dos temores em torno de uma possível guerra nuclear e do avanço acelerado da inteligência artificial, considerados fatores que chegaram a um “ponto de inflexão crítico”.
A atualização foi anunciada em Washington, nos Estados Unidos, pelo Boletim dos Cientistas Atômicos, organização responsável pelo relógio desde sua criação.
Com a atualização, o planeta passou a estar a 85 segundos da meia-noite. As informações são do The U.S. Sun.
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Em 2026, o Relógio do Apocalipse marca 85 segundos para a meia-noiteFoto: Bulletin of the Atomic Scientists/YouTube/ND MaisSegundo Alexandra Bell, presidente e CEO do boletim, “a mensagem não poderia ser mais clara”. “Os riscos catastróficos estão aumentando, a cooperação está diminuindo e estamos ficando sem tempo. A mudança é necessária e possível, mas a comunidade global precisa exigir ações rápidas de seus líderes”, afirmou.
O Conselho de Ciência e Segurança explicou que o adiantamento reflete o aumento dos riscos globais impulsionados pela política de risco nuclear, por tecnologias disruptivas como a inteligência artificial e por crescentes preocupações com a segurança biológica.
De acordo com o conselho, citado pelo tabloide norte-americano, são necessárias medidas urgentes para o controle de arsenais nucleares, a criação de regras internacionais para o uso da inteligência artificial e o fortalecimento da cooperação global contra ameaças biológicas emergentes.
Daniel Holz, presidente do Conselho de Ciência e Segurança, alertou que a crescente fragmentação geopolítica amplia ainda mais os perigos.
“As tendências perigosas relacionadas ao risco nuclear, às mudanças climáticas, às tecnologias disruptivas como a IA e à biossegurança vêm acompanhadas de outro desenvolvimento alarmante: a ascensão de autocracias nacionalistas ao redor do mundo”, disse Holz.
Nas últimas semanas, um surto do vírus Nipah colocou a Índia em alerta sanitário. Ao menos cinco casos foram confirmados, o que acendeu o sinal vermelho para autoridades de saúde do mundo todoFoto: Unsplash/ND MaisSegundo Daniel, um cenário global cada vez mais dividido torna “toda a humanidade mais vulnerável”. O conselho destacou ainda que grandes potências têm adotado posturas mais agressivas, permitindo o enfraquecimento de acordos internacionais justamente quando as ameaças existenciais se intensificam.
Para os cientistas, a incapacidade de reverter esse curso aumenta a probabilidade de uma catástrofe, à medida que líderes adotam políticas que “aceleram, em vez de mitigar”, os riscos globais. Eles reforçam que o Relógio do Apocalipse não é uma previsão, mas um alerta.
“Qualquer movimento em direção à meia-noite deve ser interpretado como um sinal de perigo extremo e um aviso inequívoco”, afirmou Holz.
O que é o Relógio do Apocalipse
O Relógio do Apocalipse funciona como um alerta simbólico sobre ameaças globais, como guerra nuclear, tecnologias perigosas e crises de saúde pública em larga escala. Criado em 1947 pelo Boletim dos Cientistas Atômicos, o relógio tinha inicialmente como foco a ameaça nuclear.
Os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki são, até hoje, alguns dos episódios mais emblemáticos da história nuclear da TerraFoto: Wikimedia Commons/ND MaisCom o passar do tempo, outros riscos, como as mudanças climáticas, passaram a ser considerados.
A metáfora indica o quão perto a humanidade estaria da autodestruição, simbolizada pela meia-noite. O relógio é reajustado anualmente, geralmente em janeiro. Em 1953, foi ajustado para dois minutos antes da meia-noite, após os Estados Unidos e a União Soviética iniciarem testes com armas nucleares.
O menor intervalo já registrado foi de 89 segundos, em janeiro de 2025. Já o ponto mais distante da meia-noite ocorreu em 1991, no fim da Guerra Fria, quando o relógio marcou 17 minutos. Na ocasião, Estados Unidos e União Soviética assinaram o Tratado de Redução de Armas Estratégicas.