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Toffoli deixa relatoria do caso Banco Master no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli deixou nesta quinta-feira (11) a relatoria do inquérito que investiga o Banco Master. A decisão foi tomada após reunião entre os integrantes da Corte, em Brasília, e o processo será redistribuído a um novo relator ainda nesta noite.

Segundo nota oficial do STF, a iniciativa partiu do próprio ministro, com base no Regimento Interno da Corte, “para o bom andamento dos processos”. Os demais integrantes do tribunal descartaram a existência de suspeição ou impedimento e manifestaram apoio a Toffoli.

“Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR”, diz o comunicado conjunto.

Provas permanecem válidas

O STF também garantiu que as provas produzidas durante a relatoria de Toffoli não serão anuladas. A Corte reconheceu a “plena validade” dos atos praticados pelo ministro tanto no inquérito principal quanto nos processos vinculados por dependência.

A redistribuição do caso ocorrerá por sorteio eletrônico, conforme prevê o procedimento interno do tribunal.

Reunião de emergência e relatório da PF

A saída de Toffoli ocorreu em meio a pressões relacionadas ao caso. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, convocou uma reunião de emergência com os demais ministros após a Polícia Federal apresentar um relatório com dados extraídos do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo a PF, o material contém menções ao então relator do inquérito, incluindo referências a pagamentos e a um convite para uma festa.

O primeiro encontro, realizado no gabinete da Presidência, durou cerca de 2 horas e 15 minutos. Após uma segunda reunião, de aproximadamente 30 minutos, Toffoli deixou o prédio do STF sozinho. Questionado pela imprensa sobre o clima das conversas, respondeu apenas: “excelente”.

Ministro nega relação com empresário

Toffoli negou qualquer relação com Vorcaro e classificou as informações divulgadas como “ilações”. De acordo com a nota oficial, a decisão de deixar a relatoria levou em consideração os “altos interesses institucionais”.

O comunicado informa que, a pedido do ministro, a Presidência do STF acolheu a comunicação para envio dos processos sob sua relatoria, a fim de promover a livre redistribuição.

Participação societária

Pela manhã, Toffoli admitiu ser sócio, junto com seus irmãos, da empresa Maridt. Segundo ele, a companhia tinha participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), mas as cotas teriam sido vendidas em 2021 para o Fundo Arleen e, em 2025, para a empresa PHD Holding.

O Fundo Arleen tinha investimentos de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e também investigado por suspeitas de fraudes no mercado financeiro.

O inquérito segue em tramitação no STF e passará a ser conduzido por um novo ministro, definido por sorteio eletrônico.


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