Chapecó, no Oeste catarinense, passa a integrar o Programa de Transfusão Pré-Hospitalar de Sangue Total, que permitirá a realização da transfusão de sangue universal ainda no local da ocorrência ou durante o transporte aéreo em casos de sangramento grave e risco iminente de morte.
A iniciativa, pioneira no país, amplia o atendimento de urgência em Santa Catarina e busca reduzir o risco de choque hemorrágico, aumentando as chances de sobrevivência dos pacientes antes da chegada ao hospital.
A ampliação do serviço foi anunciada e será executada pela SES (Secretaria de Estado da Saúde), por meio do serviço aeromédico do Samu e do Hemosc, em parceria com o Saer/Fron (Serviço Aeropolicial da Polícia Civil).
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Transfusão de sangue poderá ser realizado no local da ocorrência em SC; entenda
Em situações de emergência, como acidentes graves, cada minuto é decisivo. Segundo o diretor técnico do Hemosc, Guilherme Genovez, não há tempo para realizar a tipagem sanguínea do paciente nesses casos.
“Em uma ocorrência de acidente, por exemplo, a pessoa precisa de sangue com urgência. Não dá tempo de fazer tipagem. Por isso, utilizamos o sangue universal, que é compatível com todos os tipos, garantindo rapidez e segurança no atendimento”, explicou o diretor.
Por esse motivo, o programa utiliza sangue total do tipo O positivo com baixa titulação de hemolisina, fornecido pelo Hemosc conforme a disponibilidade do estoque, permitindo a transfusão de sangue imediata ainda durante o resgate.
Logística e segurança na transfusão de sangue
As bolsas de sangue total serão armazenadas no hangar da Polícia Civil e transportadas em caixas térmicas especiais durante as missões, garantindo a conservação adequada por até 48 horas. Na base, o material pode ser mantido por até 15 dias, seguindo rigorosos critérios técnicos.
As bolsas de sangue total serão armazenadas no hangar da Polícia CivilFoto: Divulgação/Hemosc/NDSaber o tipo sanguíneo e doar continua sendo essencial
Mesmo com o uso do sangue universal em emergências, Guilherme Genovez reforçou que conhecer o próprio tipo sanguíneo segue sendo fundamental, tanto para agilizar atendimentos quando há tempo quanto para fortalecer os estoques dos hemocentros.
“Sangue não é fabricado nem vendido. Ele depende exclusivamente da doação voluntária. Por isso, é essencial que as pessoas conheçam seu tipo sanguíneo e ajudem a manter os estoques, especialmente os de sangue O”, destacou.
Para o primeiro trimestre de 2026, o Governo do Estado já articula a expansão do programa para as regiões da Serra e do Extremo Sul catarinense. O próximo passo é levar a transfusão pré-hospitalar também às Unidades de Suporte Avançado do Samu, ampliando ainda mais o alcance da iniciativa em Santa Catarina.
Sangue total no resgate aéreo aumenta chances de sobrevivência
Conforme o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, o diferencial do programa está na antecipação do tratamento que antes só era possível no hospital.
“O que normalmente acontece é a pessoa receber soro até chegar ao hospital para então fazer a transfusão. Agora, o sangue total já estará disponível no deslocamento aéreo, antes da chegada ao hospital, o que aumenta muito a chance de sobrevida”, afirmou.
A maioria dos atendimentos envolve vítimas de trauma, especialmente acidentes automobilísticosFoto: Divulgação/Hemosc/NDResultados comprovam eficácia do programa
A iniciativa já está em funcionamento em Florianópolis e Blumenau e, desde sua criação, realizou 84 transfusões, sendo 67% dos pacientes do sexo masculino. A maioria dos atendimentos envolve vítimas de trauma, especialmente acidentes automobilísticos.
“Nós atuamos diariamente no atendimento pré-hospitalar e identificamos a eficácia do sangue total ainda na cena do acidente. É um tratamento de alto nível, e nossa meta é ampliar cada vez mais essa iniciativa”, destacou o superintendente de Urgência e Emergência, Marcos Fonseca.
Santa Catarina é referência nacional
“É uma ação pioneira no Brasil. Tanto que outros estados vêm conhecer o programa. Essa é a terceira expansão em Santa Catarina e vamos avançar para mais regiões. É um ganho enorme para o Oeste e para todo o estado”, destacou o governador Jorginho Mello.
Além de ser pioneiro no Brasil, o programa conta com a estrutura do Hemosc, considerado referência nacional e alinhado a protocolos internacionais.
“Temos orgulho de sermos pioneiros em uma iniciativa que amplia as possibilidades de salvar vidas em situações extremas. Já tivemos casos em que o uso do sangue total permitiu que pacientes chegassem vivos ao hospital, inclusive viabilizando a doação de órgãos”, afirmou a diretora-geral do Hemosc, Patrícia Carsten.
Outra conquista foi o credenciamento do Serviço Aeromédico de Santa Catarina como agência transfusional, a primeira unidade aérea pública do país a receber alvará da Vigilância Sanitária.
Transfusão de sangue: o procedimento já estará disponível no deslocamento aéreoFoto: SES/Divulgação/ND