Cinco anos depois do rompimento de uma estação de tratamento de esgoto que despejou mais de 100 milhões de litros de efluentes na Lagoa da Conceição, o episódio segue como um dos marcos ambientais mais graves da história recente de Florianópolis.
O desastre ocorreu em 25 de janeiro de 2021, quando uma lagoa de evapoinfiltração da Estação de Tratamento de Esgoto da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) se rompeu e invadiu residências localizadas na Servidão Manoel Luiz Duarte e áreas adjacentes.
À época, uma mistura de lama e água contaminada avançou sobre pelo menos 75 casas, provocando perdas materiais, a morte de animais domésticos e impactos ambientais que atingiram diretamente a lagoa, um dos principais cartões-postais da Capital. Laudos posteriores apontaram a presença de metais pesados, fármacos e patógenos na água, com reflexos sobre a biodiversidade local.
A vida reorganizada com o passar dos anos na Lagoa da Conceição
Morador da região, Silvio Rodrigues afirma que, no seu caso, o suporte após o acidente foi prestado conforme o esperado. Segundo ele, houve acompanhamento e ressarcimento dentro do que considerou adequado. “A casa estava alugada e eles ficaram pagando o aluguel durante o período. Além disso, já fui ressarcido pelos danos, que deixaram a casa inabitável”, relata. Silvio conta ainda que, após o episódio, moradores passaram a acompanhar mais de perto o funcionamento da estrutura e o nível da lagoa de evapoinfiltração, com monitoramento compartilhado entre comunidade e a concessionária.
Morador afetado pelo vazamento, Silvio Rodrigues afirma que Casan prestou o apoio necessárioFoto: Alan Pedro/Jornal NDVilmar Galdino, que vive há cerca de 30 anos na região, também permaneceu no local após o rompimento. Ele diz que recebeu a indenização da Casan antes de completar um ano do ocorrido. Para ele, o episódio trouxe reflexões sobre a necessidade de soluções definitivas para o sistema de tratamento. “Fiquei muito desgostoso quando tudo aconteceu, mas sabemos que a permanência da estação de tratamento é um mal necessário. A solução definitiva dessa situação vai vir em algum momento, e isso será o dia ideal”, afirma.
Morador Vilmar Antônio relata que recebeu a indenização em menos de um ano do desastreFoto: Alan Pedro/Jornal NDLançamento do Projeto Lagoa Viva
Para marcar os cinco anos do desastre, está previsto para este domingo um evento público na região da Lagoa da Conceição. A programação inclui atividades de educação ambiental, o lançamento do Projeto Lagoa Viva, uma passeata e apresentação cultural. O projeto, desenvolvido pelo programa Ecoando Sustentabilidade da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), propõe ações de biorremediação e restauração ambiental, com o uso de macroalgas do gênero Ulva como biofiltros naturais e estudos para recuperação de ecossistemas submersos, além de iniciativas de conscientização ambiental.
Planejamento, controle e responsabilidade
Em nota, a Casan afirmou que o rompimento de 2021 evidenciou fragilidades históricas da infraestrutura de saneamento da região e que, desde então, vem adotando um novo modelo de gestão. Segundo a companhia, mais de R$ 30 milhões foram investidos em obras e melhorias estruturais na Lagoa da Conceição, incluindo a implantação do tratamento terciário de esgoto, reforço de estruturas da lagoa de evapoinfiltração, ampliação do monitoramento ambiental e execução do Plano de Recuperação de Área Degradada.
“O episódio foi um divisor de águas e mostrou a necessidade de mudar o modelo de gestão do saneamento, com mais planejamento, controle e responsabilidade”, afirmou o presidente da Casan, Edson Moritz, no comunicado.
A empresa destaca ainda ações de fiscalização, regularização de ligações de esgoto e diálogo contínuo com a comunidade, além da participação no Pacto pela Lagoa, lançado no fim de 2025, com ações integradas de curto, médio e longo prazos para a região.


