O padre José Luciano Jacques Penido morreu na última sexta-feira (9), aos 103 anos, em Juiz de Fora (MG), em um momento que emocionou fiéis e a comunidade religiosa.
Segundo relatos compartilhados durante o velório, o padre deu seu último suspiro faltando apenas um minuto para as 18h, exatamente após concluir a oração da Ave-Maria.
O gesto marcou as despedidas realizadas no último domingo (11), na Capela Mortuária do Cemitério da Paróquia da Glória. O sepultamento ocorreu ao meio-dia — a tradicional Hora do Angelus — sob o toque dos sinos da Igreja Matriz e cânticos tradicionais, encerrando uma trajetória de mais de sete décadas de sacerdócio.
Vida dedicada à missão: quem era o padre José Luciano Jacques Penido
Natural de Belo Vale (MG), padre Penido nasceu em 1922 em uma família numerosa de 13 irmãos. Sua vocação despertou cedo: aos 11 anos já ingressava no seminário, sendo ordenado em 1947.
Como integrante da Congregação do Santíssimo Redentor, ele não limitou sua atuação ao altar. O religioso percorreu diversas cidades em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, atuando como:
- Pároco e missionário;
- Professor e gestor pastoral;
- Líder da antiga Província do Rio de Janeiro dos Redentoristas.
Sua formação também o levou à Itália, onde estudou Teologia e Jornalismo em Roma, chegando a colaborar com a Rádio Vaticana.
Legado histórico e reconhecimento do padre que morreu após rezar a Ave-Maria
Para além da batina, padre Penido deixou um impacto profundo na cultura brasileira. Ele foi o fundador do Museu do Escravo, em sua cidade natal, Belo Vale.
A instituição é referência no país por seu acervo dedicado à preservação da memória da resistência negra e da história dos povos africanos escravizados no Brasil.
Em 2022, ao celebrar seu centenário, o padre recebeu uma bênção apostólica do Papa Francisco, em reconhecimento a uma vida inteiramente dedicada ao serviço religioso e social. Para os fiéis que o acompanharam, sua partida silenciosa após uma oração foi o “ponto final” perfeito para uma história de devoção.


